"Sei que não sou a mais doce das criaturas".
Nem a dona da verdade.
Aliás, desconfio profundamente de quem se diz doce demais ou certo demais — isso costuma esconder veneno ou medo.
A vida tem dois lados.
Luz e sombra.
E eu conheço bem os dois.
Já morei na sombra tempo suficiente pra saber que ela ensina, mas não deve virar endereço fixo.
Eu escolhi ser luz.
Não pra me exibir, nem pra me salvar sozinha.
Escolhi ser luz pra iluminar o caminho de quem ainda anda tropeçando no escuro, tentando entender por que dói tanto, por que repete, por que não consegue se curar.
Ser luz, às vezes, é só ficar acesa quando tudo pede apagão.
O bem e o mal coexistem.
Isso é filosófico, é bíblico, é humano.
Mas caráter é escolha.
E eu escolho estar do lado certo da história — mesmo quando esse lado custa caro, mesmo quando me chamam de dura, amarga, exagerada.
Porque no fim, concordo com a filosofia popular:
caixão não tem gaveta.
Não se leva status, não se leva razão, não se leva o ego inflado.
Só se deixa rastro.
E se um dia lembrarem de mim, que não seja por mérito próprio.
Que seja por um dom.
Um dom que acredito ter sido dado por Deus:
o de atravessar provas sem virar pedra,
o de sangrar sem perder a humanidade,
o de cair e ainda assim estender a mão.
E não foram poucas provas.
Mal saía de uma, a vida já me entregava outra — como quem testa resistência, fé, sanidade.
Talvez Deus confie mais do que eu mesma confiei.
Até quando Ele quiser.
Enquanto Ele quiser.
Eu sigo.
Ácida quando preciso.
Dócil quando posso.
Humana sempre.
-aurorazanco-
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