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sábado, 8 de abril de 2017

Johnny Welch


A DESPEDIDA.

Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormissem.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, jogar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como também minha alma.
Deus meu, se tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria com um sonho um quadro de Van Gogh sobre as estrelas, um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat. Seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Meu Deus, se tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas:
— Amo vocês!
Viveria para amar.
A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês...!
Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que um recém-nascido, ao apertar com sua pequena mão, pela primeira vez, os dedos de seu pai, o tem prisioneiro para sempre.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que aprendi com vocês, mas, ao final, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta (laptop), infelizmente estarei morrendo.
-Johnny Welch-


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